Eu

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ele vê a Lua e meu coração derrama chuva de prata em poemas

Lua, minha Deusa, te contemplo aqui, tão longe e distante.
 Meu coração apaixonado bate mais forte,
 mas silencio o nome que as palavras encantadas,
 não podem desvelar e nem revelar. 
Quisera, Lua, minha Deusa que me concedesses o meu oculto sonho
e iluminasse o coração...
que sem temor ao olhar o céu de estrelas,
fosse eu a Lua, Deusa.
Tua derramando a luz de prata, bem assim: Apaixonados ♡♡♥


LOUCURA! BLASFÊMIA!


Num tempo
O Deus do tempo
no tempo adentrou
para ser um de nós.
Loucura!
Blasfêmia!
Disforme no oculto ventre
amamentado
cuidado, frágil,
carente como um de nós!
Loucura!
Blasfêmia!
Menino, travesso
Menino, sábio
de espantar os sabidos
era, apenas menino
tão menino como um de nós!
Blasfêmia!
Loucura!
E, quando homem
saiu resoluto
a enfrentar seu destino
que nos salva do desatino!
E para tal se fez um de nós!
Blasfêmia!
Loucura!
No ventre oculto da terra
a morte em vão espera
Vencida e tragada
Ressurreto, então, Ele impera
É o primeiro de nós!
Blasfêmia
Loucura!
E assim é Natal
Uma blasfema loucura
que olhos nunca viram
e nunca mais verão
Porque só se compreende
Que Cristo se tornou
um de nós
Por puro e completo Amor,
Quem olha, ouve e vê
com a Luz que brilha
no coração.
Jesus, se tornou um de nós!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Purgatório!


Se existe um purgatório
Lá está meu coração
Não vive mais na terra dos vivos
Mas, não alcançou o céu,
Nem o amor e nem a paixão.

O céu dos amantes é a correspondência,
A cumplicidade
As palavras ditas que nos beijam
O nome desvelado do amor
O abraço perdido
Em laços de braços e pernas
Que fazem o tempo parar
E espantam a morte.
A terra dos amantes é a procura
O momento do encantamento
O poema inspirado
Um beijo esperado
A expectativa do que não é
Mas, pode vir a ser.
E o lugar de uma certa esperança
De uma descoberta
Redescoberta....

O purgatório dos amantes é a desilusão
E o amar sem ser amado
A solidão.
É o desejo de voltar a terra se possível
E começar de novo!
Mas, visto que já se está morto
Nada mais há a fazer.

O purgatório é lugar da agonia,
Da saudade, do desejo, do pulsar amor
E o coração saber que é tudo vão.
Por mais gestos e palavras.
Sejam poemas
E mesmo que nunca ditas
As palavras que beijam
Nunca são recebidas.
E o lugar da casa vazia
Dá esperança morta
Das lágrimas escondidas
Dos suspiros profundos
De noites sem dia.
Há salvação nesse purgatório?
Não sei.
Só sei que nele há solidão,
Duras realidades, dores vivas.
Músicas que transpassam a alma
E silencio que mortifica.
Não se escapa do purgatório sem interferência divina
Ou até que tudo o que se sente
Seja exaurido
Até o fim...
Quem sabe ao sair do purgatório se volte a terra
E recomece uma nova história?
Ou sabe-se lá que depois de purgar
Todo amor rejeitado
Se acabe no inferno do cinismo
Dos corações feridos,
Desiludidos e maltratados?
E nunca mais se emocione com um verso
Nem com as palavras que nos beijam
Com a chuva que caí na janela?
E tudo seja naturalmente um acaso fortuito
Mesmo que nesse acaso os corpos se encontrem
Em abraços contra morte
E no calor do acaso
Atinjam suavemente o céu por um instante.
E voltem a terra
E depois nada aconteceu...
E tudo naturalmente volte a ser como antes
Sem lembrança,
Sem versos,
Sem palavras que beijem a boca
Sem emoção do amor
Nem a loucura da paixão.

sábado, 28 de novembro de 2015

ÁGUAS AMARGAS DO RIO DOCE


(Silvino Netto, na crise moral do Brasil, 2015)
As lamas da barragem que se rompe,

Atingem o leito de minha alma
E me levam sem rumo rio abaixo...

Provo as águas amargas do Rio Doce,
E vou levado na enxurrada sem destino,
Submerso num mar de lamas, fétido, tóxico...
Vou impotente, sem forças,
Nas ondas lamacentas,
Tentando, enquanto vou,
Abraçar-me às pedras da esperança,
Agarrar-me aos galhos da justiça,
Em trancos e barrancos me apego aos troncos,
Às raízes dos princípios e valores,
Que encontro nos manguezais,
Para não deixar afogar a minha fé...
No agito das ondas de um rio feito amargo,
Encontro parceiros impotentes que se vão sem forças,
Animais que boiam e se afogam
Na correnteza sem fim,
De lama cor de sangue carmesim...
Bebo as águas de Mara,
No gosto de fel do Rio Doce de Mariana,
Esta lama de corruptos
Que tornam amargas as águas de minha Pátria!
Quero unir-me às vozes proféticas, corajosas,
Para combater este mar de lamas de corrupção,
Lançar nas águas amargas o tronco
Com as raízes dos princípios éticos, divinos,
Para recuperar o Rio Doce,
Uma nova nação, transparente, cristalina!
Minha Pátria Brasil!


Silvino Netto